Entre 8 e 13 de fevereiro, um grupo de professores, alunos e ex-alunos do secundário percorreu a última etapa do Caminho Francês: no fim de tarde do dia 8, chegámos a Sarria, de onde partimos bem cedo na manhã do dia seguinte, rumo a Portomarín; Palas de Rei, Arzúa, Pedrouzo… e, no fim da manhã do dia 26, chegámos a Santiago.
O Colégio Luso-Francês percorre o Caminho de Santiago desde 2002: organizámos quase quarenta peregrinações, nas quais participaram mais de cinco mil alunos.
“Não há prova possível, mas mesmo assim acredito que seja verdade: existem lugares no mundo onde à nossa chegada ou partida se acrescentam, de forma misteriosa, as emoções de todos os que lá chegaram ou de lá partiram antes de nós. […] No pórtico da catedral de Santiago de Compostela encontra-se uma coluna em mármore com marcas profundas de dedos, uma garra comovida, expressionista, moldada por milhões de mãos, entre as quais a minha. Mas dizer “entre as quais a minha” já é uma forma de adulterar, pois nunca me agarrei à coluna com toda a emoção que se sente ao fim de uma viagem a pé que levou mais de um ano. Não vivia na Idade Média, não era crente e vinha de automóvel. Se desconsiderarmos a minha mão, se eu nunca ali tivesse estado, aquela garra lá continuaria, graças aos dedos de todos os mortos que desgastaram o mármore duro. Mesmo assim, ao colocar a minha mão naquele negativo de uma mão, participei de uma maneira misteriosa numa obra de arte coletiva. Uma ideia que se materializa, é sempre um fenómeno espantoso. A força de uma ideia levou soberanos, lavradores e monges a pôr a mão exatamente naquele sítio naquela coluna, cada mão individual tirava uma ínfima quantidade do mármore duríssimo, tornando visível, justamente pelo mármore que tinha desaparecido, a forma de uma mão” [Cees Nooteboom].




